A primeira porrada a gente nunca esquece

Como aos 34 anos ganhei meu primeiro olho roxo e isso mudou a minha vida – e poderá mudar a sua também

De: Maurício Benvenutti

Diretamente de: San Francisco, California – Vale do Silício

Caro leitor,

Pode parecer mentira que justo aos 34 anos fiquei com meu primeiro olho roxo e isso tenha sido uma das melhores coisas da minha vida…

Mas é a mais pura verdade.

Saí diretamente de Vacaria, Rio Grande do Sul, para rodar o Brasil como sócio da XP Investimentos para ampliar seu número de escritórios.

Depois de quase 10 anos saímos de 20 para 500 escritórios, um aumento de 25 vezes de tamanho.

Hoje você deve saber o alcance da XP pelo país todo e o papel dela em tornar acessível para milhões de brasileiros a oportunidade de controlar seu próprio dinheiro em uma corretora que oferece opções de investimentos melhores que a maioria dos grandes bancos.

Naquela época eu me sentia um verdadeiro boxeador usando o cinturão de pesos-pesados…

Cansado pela jornada, porém invencível.

Intimidado por ver o tamanho que aquela empresa do RS chegou, mas ainda estava disposto e me sentindo capaz de realizar coisas incríveis…

Geralmente é assim quando sentimos que chegamos onde queremos chegar…

“No topo” como dizem por aí.

Foi quando a XP quebrou o teto dos bilhões de dólares… parti para uma outra aventura – ainda maior.

Todo mundo já deve ter ouvido falar do Vale do Silício alguma vez.

Aquela região da Califórnia de onde saíram as empresas mais revolucionárias do mundo dos últimos 60 anos.

Sempre as histórias daqui incríveis, retratadas em filmes, séries, livros…

E fui para lá pessoalmente para conhecer a “disneylândia” do empreendedorismo e da tecnologia.

Acho que a comparação mais rápida que consigo pensar sobre minha primeira semana na Califórnia é a de ser atropelado por um ônibus…

Saio do Brasil, depois de quase uma década de uma empresa que se tornou uma das maiores do mercado financeiro nacional…

Achava que aos 34 anos, com a minha experiência na XP, eu já soubesse praticamente tudo sobre negócios, empresas de sucesso e como se manter relevante no mercado.

De repente chego ao lugar mais inovador do planeta e percebo que posso pegar esses 10 anos de carreira e jogar na lata do lixo.

Pois se o que estava rolando aqui no Vale do Silício saísse para os demais países do mundo (e realmente as inovações de lá estão se espalhando rapidamente), tudo o que aprendi em anos de carreira não me serviriam de nada.

Drones, carros autônomos, empresas sem chefe, prédios inteiros praticamente sem funcionários…

Inteligência Artificial sendo debatida nos cafés da região, como se falássemos de futebol e do último episódio da novela das 9 aqui no Brasil…

Só que tudo ali, acontecendo de verdade, bem diante dos meus olhos.

Entender que eu precisava compreender aquele novo mundo, antes que eu me tornasse um verdadeiro Homus Antiquadus naquele lugar – e em qualquer mercado que eu quisesse atuar – já não era mais questão de luxo…

Era questão de necessidade, de sobrevivência e até mesmo de propósito.

Foi um verdadeiro nocaute estar diante de jovens com 17, 18 anos me dando verdadeiras aulas de gestão e empreendedorismo que eu, como sócio de uma grande empresa, nunca sequer imaginei passar nem ao meu melhor funcionário.

🚀 Para quê trabalhar das 8h às 18h?

🚀 Por que hora extra em muitas empresas é sinal de um “funcionário engajado”?

🚀 Por que só posso usar jeans e camiseta às sextas-feiras?

🚀 Como assim eu não posso levar meu notebook pra casa e trabalhar de lá ou de onde quiser?

🚀 Por que não posso compartilhar com minha concorrente soluções e insights para melhorar nossos negócios mutuamente?

Para todas essas perguntas tinha uma resposta pronta; mas qualquer um que me perguntasse “por quê?” mais uma ou duas vezes acabava me sobrando apenas um envergonhado:

“Não sei”…

Naquele momento percebi que não estava lá para ensinar nada a ninguém… Muito menos fazer comparações entre o que tínhamos no Brasil do que estava acontecendo ali.

Só me restava aprender… aprender muito.

Fui anotando todas as lições, novidades e ideias que podiam funcionar no Brasil…

Aquela semana se transformou em meses e mais de 150 páginas de anotações que resultaram no meu primeiro livro: Incansáveis, um dos livros de negócios mais bem sucedidos do Brasil.

Ali eu percebi que esse assunto não interessava só a mim ou aos meus amigos.

Milhões de Brasileiros estavam querendo empreender, inovar e transformar empresas tradicionais em algo com propósito e capaz de atingir as pessoas também.

Só não estavam conseguindo encontrar esse conhecimento no Brasil. E acredito que o livro teve um papel importante nisso.

Posso revelar rapidamente pra você 3 características-chave que qualquer empresa PRECISA ter se quiser transformar a vida das outras pessoas.

São elas:

#1 Diversidade é igual à exponencialidade

Assim como em uma sala de aula, quanto maior as diferenças de classe, gênero, etnias e quaisquer outros fatores que nos tornam diferentes das outras pessoas, melhor.

Pessoas iguais tomam decisões iguais. Empresas iguais tornam-se previsíveis.

Estar diante de jovens de 17 anos da Índia, Israel, China, México – e diversos outros países – me ensinando modelos de gestão que nunca imaginei serem possíveis dentro de uma empresa “padrão”, me fez enxergar algo muito importante.

Eu nunca havia trabalhado diretamente na XP com pessoas que tivessem uma faixa etária ou uma visão de mundo muito diferente da minha.

E ali eu fiquei… me sentindo um campeão dentro de um ringue do qual eu nunca havia saído.

Foi pisar no “mundo real” pela primeira vez: NOCAUTE…

#2 Não há concorrentes quando o objetivo é inovar

Enquanto que no Brasil alguns segredos são guardados a sete-chaves entre empresas.

No Vale você pode perguntar com tranquilidade “como eu resolvo problema X” na minha empresa e receber 10 respostas diferentes…

Todas com foco em te ajudar a tornar sua empresa maior e mais forte do que ela é.

Colaboração é algo que você sente em qualquer lugar por aqui. Onde quer que você vá…

Informação não é poder, ou algo monopolizado. E sim algo que se compartilha… como se fosse uma fonte pública onde todos podem beber.

Algo que as empresas brasileiras ainda estranham…

E por fim…

#3 A melhor ideia é sempre a do próximo

Sempre achei que uma ideia genial… empresas que revolucionam mercados, tinham ideias geniais sozinhas.

Algo pensado e experimentado por anos e anos até que BOOM, escalava e virava uma Apple, um Google, um Facebook.

E aqui vi na prática que não é nada disso.

Empresas de seguros usam ideias de empresas de streaming para vender seus produtos.

E-commerces usam soluções de mídias sociais…

Empresas de transporte usam soluções que funcionaram com varejistas.

Essa conversão de tecnologias e soluções é um dos maiores segredos daqui para produtos geniais nascerem.

Bem, mas isso é apenas um pouco do que aprendi por aqui.

Me empolguei demais nessa primeira mensagem e não quero me estender demais…

Porém, na próxima lição irei te mostrar algo que mudou minha perspectiva sobre todos os mercados e empresas no futuro.

A Próxima Revolução Industrial já foi apresentada a mim e a você há pelo menos 40 anos… só não nos demos conta disso ainda.

Mas isso é assunto para nossa próxima conversa.

Eu falei demais e agora quero sua participação. Coloque nos comentários abaixo: o que você tem feito em sua empresa (ou no seu trabalho) para inovar e se manter mais competitivo?

Até lá!

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